Há gravado em minha memória doce e diferente sotaque. Aquela voz anasalada e extraordinária era causadora das mais belas palpitações. Sua dona era possuidora da voz que fazia meu coração parar e disparar quando bem entendesse. E tão diferente eram aquelas entonações, que me faziam pensar que Deus assim a fez exatamente para que eu te encontrasse apesar das pessoas. Era como o canto das sereias, me hipnotizando, induzindo-me à segui-lo para onde decidisse ir.... Seria capaz de segui-la pelo infinito, talvez um pouco mais apenas, para ouvi-la sussurrar, gritar, gargalhar - adorava aquela gargalhada, me fazia pensar que nessa vida existia solução para tudo, inclusive para a tristeza e esta era a risada que me davas. Sinto pesar agora ao entender que após as gargalhadas haviam os silêncios, e tão rápido como chegou, se foi. Fiquei só. Como num passe de mágica, todas as vozes passaram a ter seu mesmo canto. Eu as seguia cegamente, na esperança de encontrar-te. Mas nada havia ao fim do caminho além de um rosto desconhecido e meu olhar de frustração. Foram precisos dias para que a compreensão batesse à minha porta. Você nada mais era que o cantar de uma lenda que me puxou para o fundo do mar. Só me restara a recordação da voz, para que jamais seja levada novamente para águas desconhecidas e matreiras. Após noites mal dormidas e comidas não tocadas, me libertei da tua voz. Nada mais eras além de uma voz entre milhões de vozes. Sim, eras sotaque - encantado, e só -, e nada mais. [minha autoria]

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