Eu só queria um colo pra deitar sem medo e esquecer a hora, o dia da semana ou quem telefonou às nove e meia da manhã. Queria sentir uma mão no meu cabelo que expulse meus pensamentos autodestrutivos, e aquele carinho capaz de descobrir a face de menina assustada escondida nessa pose de desapego que escondo tão mal. Gostaria de ter uma curva de pescoço onde eu possa afundar meu rosto e derramar todas as lágrimas que enchem meus olhos quando penso no futuro incerto e em quantos erros cometi nessa ânsia desesperada de acertar. E que o dono desse pescoço dissesse, manso, porém firme: “Eu estou aqui. Eu estou com você, sempre”. Olharia para ele sem me importar com os olhos inchados, os lábios trêmulos - o corpo vazio de tanto que dói se sentir sozinha, infeliz e triste - e me sentiria compreendida, e amada. Esse alguém me aquietaria, limparia meu peito de toda a sujeira que me faz mergulhar todas as noites em meio aos lençóis me sentindo a última das criaturas. Me completaria. E mesmo com todas essas crises de solidão, eu saberia que ele estaria ali comigo, sempre. [minha autoria]

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