Acho que todo mundo precisa colocar um sorriso no rosto todos os dias, pra se mostrar forte, ignorar as pessoas que tentam te derrubar, e não ficar pensando no que os outros vão pensar.
[minha autoria]
Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém; Provavelmente a minha própria vida.
domingo, 31 de julho de 2011
"E toda vez que meu coração disparar, minha pupila dilatar, e minhas mãos ficarem trêmulas, saiba que eu te amo.” E toda vez que você respirar, saiba que eu te amo. E toda vez que você pensar, saiba que eu te amo. E toda vez que você estiver carente, sentindo falta de um abraço e precisando de carinho, saiba que eu te amo. Anjo, saiba que eu te amo por motivos simples, mas ao mesmo tempo que são simples, são extremamente complexos. Tão complexos quanto o seu cabelo bagunçado ou seu sorriso torto, que mexem comigo e me hipnotizam. Tão complexos quanto seu olhar que me faz de refém ou quanto a sua voz que me acalma e me deixa nervosa ao mesmo tempo. Saiba que eu te amo. Eu te amo pelo seu jeito, seus costumes, seus defeitos. Eu te amo pelo modo como me trata; me mimando com teus carinhos, me fazendo dependente do teu abraço e me fazendo a garota mais feliz do mundo pelo simples fato de você existir. E toda vez que ouvir meu nome, saiba que eu te amo. E toda vez que eu estiver com ciúmes, saiba que eu te amo. Enquanto eu existir, anjo, saiba que eu te amo. Saiba que eu te amo até o fim, o que quer que ele seja.
[minha autoria]
[minha autoria]
Hoje meu quarto parece tão maior. Está sem sua presença na cama, jogado como se tivesse lutado na guerra, reclamando atenção. Não há sua mochila no canto, sua blusa de frio pendurada em meu guarda-roupa, seu tênis de marca de qualquer jeito no chão. Hoje minha varanda está tão vazia, sem sua conversa mole de como me ama e como vai passar o resto da vida comigo, sem seus gestos e seu modo largado. Hoje anoiteceu claro, porém a noite estava sem seu perfume de festa, sem sua reclamação de como eu demoro para me trocar, sem suas exigências de saias maiores, sem seu carro buzinando em minha porta, sem você puxando saco da minha mãe na sala enquanto não termino meu banho. Hoje a rua está tão esquisita, sem seus passos apressados em direção à minha casa, sem nossas discussões intermináveis da porta para fora, sem você ameaçando ir embora para nunca mais voltar por motivos que nem lembro mais. Hoje a festa estava diferente, sem você me mandando parar de beber e dançar como uma menina comportada, sem seus braços me envolvendo quando o que eu mais queria era estar livre para conversar com meus amigos, sem você bebendo sem parar até se tornar o garoto mais chato e mais abusado da festa. Hoje a música toca e parece cantar a saudade que me arrebata, os garotos se aproximam de mim porque você não está aqui para me marcar como sua. Hoje a bebida está esquisita porque tenho medo de ficar bêbada sem ninguém para me proteger. Hoje voltei sozinha para casa, hoje seus braços não me envolveram em sinal de posse, hoje não pude contar para ninguém como foi meu maldito dia cheio de pessoas hipócritas, estudos irritantes e chefes que pegam no pé. Hoje eu cansei e não pude descansar em você. Hoje acordei no meio da noite sem o som estúpido de seus roncos, sem suas mãos chatas tentando de alguma forma me tocar, sem a batida de seu coração compassado com o meu. Hoje meu dedo sente falta do anel que mostrava que eu te pertencia, minha nuca sente falta de seu carinho mal-feito, meus ombros sentem falta de sua massagem sem vontade. Hoje minha boca não tem seu gosto, minha vida não tem sua vida, minha mão não encaixa na sua. Hoje acordei de um sonho tão estranho, você estava tão longe. Hoje meu coração está cheio do vazio que você causou porque partiu. Hoje eu tive que me amar além para não amar mais você.
[minha autoria]
Nostalgia Outonal.
Eu queria um outono como o de Nova York, com aquelas folhas amarelas caindo pelo chão e partículas de amor exalando pelo ar. Andar pela rua sentindo aquele friozinho que deixa meu nariz gelado, mas sem me sentir deprimida. Sentindo apenas uma leve brisa adentrando minha alma, enchendo-me de paz e serenidade. Dando-me aquele ar de leveza, como se eu pudesse flutuar sobre os parques e voltar ao chão, leve, como uma daquelas folhas que caem. Seria um sonho. Se um dia eu vivesse um outono assim, talvez mudasse de ideia a respeito desta estação. O outono por aqui é chuvoso, é cinzento, não é acolhedor. Talvez o meu estado de espírito o faça dessa forma agora, mas acho que se não chovesse tanto eu me alegraria mais. Eu não tenho vontade de levantar da cama todas as tardes depois que eu deito para descansar, até porque não tem ninguém a esperar minha prontidão. E não há como sair de casa em um dia tão feio. Não há quem vá achar graça do meu nariz vermelho, e nem quem me abrace transmitindo calor. E não é a mesma coisa, só inventar um amor; mas e se algum dia eu viver um outono plenamente feliz, qual estação terá de entristecer? Que não seja o verão, por favor. Na verdade, se for não há problema. Se eu pudesse sentir uma vez que fosse a sensação do outono que idealizo já me daria por satisfeita, mesmo que passasse a minha estação preferida só observando o dia pela janela. E quando não houver para onde correr, vou me lembrar do outono maravilhoso que eu posso ter.
[minha autoria]
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Me isolei, odeio incomodar os outros. Mesmo quando sou eu quem menos me aguenta. Foi estranho e repetido, eu já tinha visto aquilo e me perguntava se já não estava ultrapassado demais pra me parecer tão viva, não novo, mas de novo. Parecia ser janeiro, parecia ter voltado a estaca zero, parecia que alguém tinha acordado toda a dor; depois de todo silêncio esforçado que fiz para mantê-la adormecida. Não chorei. Nem sorri, é o que as vezes faço para parecer bem, ou pelo menos um pouco menos mal, humorada. Quem me dera fosse um problema de humor, mas o humor não passa de mais uma vítima desse vai e vem que nunca se vai. O mormaço que o sol faz após a chuva adoece, enfraquece, pesa o ar quando se quer, mas os pulmões não se permitem parar de respirar. Porém, sei que não é o clima, então vivo culpando o tempo. Que por menos incrível que pareça está passando, só não leva nada. Só, vou me levando, enlouquecendo, por estar cada vez mais dentro, e me sentir cada vez mais longe de casa. [minha autoria]
Acabou.
Quando tudo parecer esta muito bem, vem tudo que no passado você até já escolheu esquecer e faz reviravolta em sua vida. Ontem eu estava tão bem, mas até eu fala com você. Juro que eu pensei que o amor que por você eu sentia tinha morrido, mas não, ele cada dia que passa se transforma em tristeza. Talvez por tudo que no passado sofremos para fica juntas, mas no passado era amor, era verdade, mas depois de uma simples conversa com você, até mesmo como amigas eu puder sentir no tom de sua voz que você tem rancor, tem um pouco de raiva não de mim e sim do amor que eu fiz você senti e não te retribui da seguinte forma que eu falei que iria retribuir. Só que ninguém escolhe a quem amar, eu juro que eu te amei, da mesma forma que eu tive certeza que tudo entre nós acabo, não o amor, mas sim o compromisso que juramos eternamente dura. Não me arrependo de nada, quero te ver feliz com quem for, por mas que a felicidade esta entre nós (eu e você), quero que tente ser feliz, sei que irá encontra a pessoa que irá te fazer bem assim como eu não tive uma condições de te fazer. Sei que não vai ser fácil te esquecer como eu pensei como ter esquecido, mas é como eu já disse, é sempre apenas uma conversa que tudo muda de lugar, tudo volta a ser como antes, o amor que longe de você morrer ele sempre vem depois de um simples olhar, uma simples conversa, um simples toque, mas sabemos como ninguém que não tem como ficarmos juntas, tentamos muitas vezes mas não é para nós. Dói ter que te fala isso tudo, meu coração entra em choque só de pensa que eu não vou mas ter você aqui, nem como amiga, porque eu sei que se ficarmos assim acabaremos voltando e talvez fazendo uma burrice enorme novamente. Mas saiba que mesmo longe é você que eu quero sempre bem, que tudo que vivemos juntas ninguém irá toma de mim, pois fico como uma herança do amor, eu sei que foi verdadeiro, puro e sincero; mas também sei que está acabando, tem que acaba!
[minha autoria]
Não imagine.
Você jamais irá entender o que se passa em minha mente, nunca imagine o que posso estar pensando neste momento, não vai adiantar... Pode ser que esteja pensando em coisas absurdas, ou talvez esteja simplesmente imaginando o que acontecera no meu futuro previsível. Se olhares para mim, e não estiver prestando atenção no que você está me falando, não tente ver o que eu estou vendo, somente pare e espere, pois talvez eu esteja somente imaginando nós duas juntas. Se achar que eu estou me afastando de ti, não pense que é porque eu não gosto de estar perto de você, não tire suas próprias conclusões. Pois talvez eu posso estar fazendo isso por uma boa causa, ou até mesmo pelo seu bem. Não tente me obrigar a fazer o que eu não quero, isso não vai te levar a nada. Apenas irá aumentar a minha vontade de fugir para o lugar mais longe que eu puder, onde eu escutaria minha musica em paz, e ninguém irá me julgar, ou pensar coisas erradas ao meu respeito.
[minha autoria]
Passado, presente ou futuro?
Sim, me arrependo de muita coisa que fiz no passado, mas se pensarmos bem nós não devemos ficar presos a uma coisa tão inútil como ele. Além das histórias que temos para contar, o nosso passado não nos serve pra mais nada, ou talvez nem pra isso ele sirva. Gostaria de poder pensar em algo para o futuro, mas desta vez eu é que não sirvo pra isso! E o presente? Na verdade acho que antes de pensarmos no que aconteceu, devemos pensar do que está nos acontecendo, e nos perguntarmos se é certo o que estamos fazendo com essa inútil sociedade.
[minha autoria]
Tantas vezes me olho no espelho, e ao olhar nos meus olhos só vejo ódio. Sinceramente não queria que fosse assim, não suportar mais nada e não conviver com ninguém já é minha rotina. Mais quando estou do seu lado, tudo parece tão mais fácil e simples, e eu sei que é! Só não consigo me convencer disso. Muitos chamam de bipolaridade, coisas mentais, ou mudança de raciocínio, mas não é nada disso, é muito mais além. Tenho certeza que você sempre vai me ajudar, sei que seu abraço vai me confortar e tirar esse medo que estou sentindo. Fica pra sempre do meu lado, cuida de mim, e nunca deixe que eu me perca nessas minhas desilusões. Vou dar o melhor de mim, me esforçar pra que a raiva não tome conta do meu dia a dia. Eu sei que você é a unica pessoa que pode me acalmar e me deixar mais segura.
[minha autoria]
/sem querer eu fecho os olhos e vejo as imagens que não gostaria de ver. Posso estar sozinha, com amigos ou com a minha família, já está impossível disfarçar. Ao fechar meus olhos vejo os momentos que passamos juntas, cada sorriso, cada beijo, cada gesto, cada lugar, e sinto aquela sensação boa que sentia ao estar do seu lado. Mas ao mesmo tempo aquele aperto no peito, aquela dor quase insuportável quando penso que esses momentos nunca vão se repetir. Queria voltar no tempo para arrumar coisas mal resolvidas e sentimentos mal interpretados, mas isso não vai acontecer, infelizmente. E nesse momento, ainda com os olhos fechados, sinto a primeira lágrima no meu olho, descendo pelo meu rosto. E a partir dai, tudo começa novamente.
[minha autoria]
Gostaria de saber como essas pessoas conseguem viver nessa vida tão infantil e tão cheia de inutilidades. Quero de volta toda aquela inocência, as brincadeiras tão cheias de verdade e olhares sem falsidade. Eu só quero um pouco de paz, quero um tempo em que não vamos julgar as pessoas pelo que vestem ou sentem. Só seja quem você realmente é, não o que você vê nas revistas ou na televisão. O mundo não precisa de mais pessoas que queiram revolucioná-lo, e sim de pessoas que queiram que ele vá pra frente. E não vai ser copiando ou invejando as conquistas dos outros, que ele irá. Tenha sua própria personalidade, e aceite a dos outros.
[minha autoria]
Ando pensando em muitas coisas ultimamente, que até então não pensava. Sei que mesmo que eu não queira, dentro de mim sempre vai haver um pingo de esperança, e no meu pensamento vou ter sua constante presença. Mas tenha certeza que agora tudo mudou, e minha mente não é mais a mesma e nunca vai ser. A cada dia tento arrancar cada pedaço de você que ainda resta em meu coração, jogando-os pra longe de mim. Embora isso seja muito difícil, estou aprendendo a conviver com a ideia de que agora não tenho mais você em meus braços, não vou mais sentir o seu cheiro bem de perto, e nem ouvir mais suas palavras doces que me faziam rir. O que passou não vai mais voltar, mas ainda me pergunto se essa foi à coisa certa a fazer.
[minha autoria]
Fico imaginado onde, como, quando. Ninguém sabe nada ainda, pra nós dois o mundo inteiro é um pequeno guarda-chuva que não conseguimos dividir sem molhar. Se eu penso mesmo em você e essas coisas? Claro que sim. Não é incrível pensar que lá fora existe alguém que está perto apesar de longe, que olha de um jeito que te faz sorrir? Pois é... E agora uma resposta simples pra uma pergunta simples. Você vem?
[minha autoria]
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Saudades de mim.
Acabei esquecendo certos valores, como também, deixei de lado certas pessoas. Acabei desistindo de certos sonhos, me acomodando, me acostumando com o pouco, o superficial e o normal. Hoje eu percebo tudo isso. A gente acaba se tornado alguém que não gosta de ser, acaba gostando do que não se é pra gostar, acaba se satisfazendo do fútil. Gostando da aparência, alimentando a vaidade. E isso cada vez mais destrói quem você é. Como diria Cazuza “aquele garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro” me banalizei, me limitei, escorreguei. Deixei que as coisas passassem e se transformassem, tudo isso sem notar. Acabei me esquecendo de mim. E no lugar, me transformei naquela pessoa mais focada no parecer, do que no próprio ser. Me preocupei tanto com “o que falar”; “o que fazer”; “como agradar”; que esqueci de me cuidar. Me abandonei, me deixei de lado, escondi tudo o que sinto e coloquei uma máscara. Máscara que hoje me sufoca. Porque eu não sou assim, não é esse meu objetivo e não é isso que eu quero, não é essa a vida que eu sonhei. Quero ser o alguém que eu era antes. Mais simples, mais descomplicada, mais amorosa, mais feliz, mais sorridente, mais verdadeira. Menos orgulhosa, menos fria, menos egoísta, menos complicada, menos superficial, menos mal humorada, menos preocupada. Quero um sorriso, mas dessa vez, um sorriso realmente verdadeiro. Quero conversar com as pessoas e me interessar pela conversa. Quero gostar, amar mais o próximo, apreciar mais o que está ao meu redor. Parar de desejar tanto, reclamar tanto, me irritar tanto. Leve, desejo mais do que nunca, ser leve. E olha que contraditório, desejo me tornar uma pessoa nova: querendo voltar à ser o que era antes. [minha autoria]
Coleção de corações.
Fazia diversos joguinhos para colecionar corações, tenho todas as peças guardadas na memória. Antes eu poderia dizer que jogava para acariciar meu ego, mas hoje sei que não se tem ego com tantas e tantas rachaduras no peito. Eu achava divertido jogar, as coleções me serviam de escudo, eu brincava, pulava, pintava e bordava, sem nenhum arranhão no fim, sem sofrer quedas. Porém, não gostava de jogar com quem verdadeiramente me importava; era contra as regras. Eu correria grandes riscos de esquecer-me do objetivo do jogo e quebrar a regra principal, que era não cair; não me arranhar. Quando apareciam pessoas assim, eu apertava “pause” no meu jogo. Por mais jogadora que fosse, queria viver de verdade; sentir. Tentava até certo ponto, mas depois via que era mais viável continuar a jogar. “Start” para mim mais uma vez. [minha autoria]
Pedaços.
Eu gosto de sentimentos fortes, de palavras ácidas, de amores mortais e alegrias mórbidas. O vazio me chama mais atenção que o cheio, a ausência me explica mais que o excesso, minha cadela é melhor amiga que qualquer humano, e o confuso pode ser incrivelmente mais interessante que a explicação plausível. Pedem que eu viva, que eu enfrente, que eu tenha planos e sonhos, que não adie mais a vida. E cada vez que me suplicam, eu me odeio, cada vez que me pedem vida eu entrego morte, se me pedem lucidez eu ofereço a loucura, me pedem atos mas só sei ser inércia. Eu submissa do medo, eterna vítima de mim mesma. Engoli todos os sentimentos e não consigo mais transformá-los em palavras. Escrever não me fascina mais, acho que essa droga perdera o efeito, dormir tem sido mais vantajoso. [minha autoria]
Nostalgia.
Ontem eu vi uma menina. Franja nos olhos, cabelos desalinhados e presos por um elástico se rompendo. Olhar confuso mas se você olhasse bem podia enxergar uma certa alegria querendo vir a tona. Parecia contida em seus movimentos, mas alerta em seus pensamentos, uma adulta em um corpo minúsculo de criança implorando por uma atenção que pouco recebia. Parecia aceitar sua invisibilidade e conversava consigo mesma, tentando em vão fazer amizade com a unica pessoa que ainda tinha, ela mesma, sem sucesso. Tinha marcas pelas pernas, algumas roxas, outras feridas de picadas de mosquitos não saradas, no momento ela tentava tirar a casquinha que cicatrizava uma ferida que creio que ela mesmo provocara, o sangue começou a brotar e ela sorriu ao ver a vida lhe escorrer, gostava de esperar até que o sangue lhe escorresse, então corria em busca de papel higiênico para estancar a pequena ferida, só para que depois pudesse arrancá-la de novo. Por isso suas cicatrizes, até as mais pequenas, nunca cicatrizavam, ou viravam manchas escuras contrastando com a pele excessivamente branca de quem provavelmente nunca brinca ao sol. Meus olhos são atraídos para suas roupas de menino com um leve toque feminino, odiava qualquer coisa que tivesse etiqueta ou costuras demais, "pinicava", também parecia se vestir por conta própria, tentando ser auto-suficiente aos seus 9 anos de idade. Ela me vê, dá um sorriso tímido e desvia o olhar, fixando para o chão ao seu redor, parecia adorar fazer isso, olhar para baixo, nunca concentrava seu olhar por mais de alguns segundos em algo que não fosse seus pés. Percebi seu rosto ficar vermelho e ela abaixou a cabeça nesse instante que percebeu o fogo nas faces, odiava quando sua timidez vinha tão descaradamente assim. Foi quando eu vi aonde estavam as outras crianças, elas brincavam no meio da praça, gritavam com suas vozes finas e não se importavam ao cair. Percebi que a menina desconhecida era a unica criança sentada com os adultos. Senti vontade de chamá-la para brincar, mas eu não sei brincar e provavelmente ficaríamos as duas em silêncio até o momento de partir. Eu sabia porque ela não brincava, não gostava de multidões ou crianças berrando ao lado dela, antes haviam jogado a areia do chão nos seus olhos e cabelos, pode ter sido nesse momento que tenha desistido, ou bem antes. Ela teve problemas com a areia nos olhos por duas semanas porque sonhava que ficava cega e morria em um deserto sozinha. Ela não queria mais brincar, porque se caísse, ela não levantaria, nunca levantava, ficava observando a terra e os joelhos ralados até que se lembrava que devia chorar e correr para sua mãe, ou se esconder do seu pai, ele não admitia que ela se machucasse ou corresse naquela velocidade, meninas não fazem isso, e crianças devem permanecer o maior tempo possível sentadas em um canto concentradas em sei lá o que. Imagino como deve ser sua casa, entre os momentos alegres e rápidos, as brigas e os tapas. Um dia perguntou para uma amiga: - Qual foi a ultima vez que seu pai te bateu? - Ele só me bateu umas duas vezes, e faz tempo, e você? Ela não respondeu a pergunta, havia apanhado naquele dia, e nos outros também, não queria admitir que era uma criança ruim. Foi em meio aos meus pensamentos sobre a garotinha que a observei que ela vinha vagarosamente em minha direção, não gosto de crianças, então movimentei meus olhos para outra direção, quando voltei a olhar para frente percebi que a menina havia desaparecido, fiquei com medo de nunca mais vê-la, e supliquei mentalmente pela sua volta, foi quando eu vi ela caída, no chão de pedras, ainda a me observar, ela pediu ajuda com os olhos verdes, e eu nada fiz, fiquei absorvida em meus pensamentos e a abandonei como todos os outros. Quando pisquei os olhos percebi o que realmente havia acontecido. Nas minhas mãos jazia uma foto de quando eu tinha uns 9 anos, chocada percebi, tarde demais, ela era eu. E eu não pude me salvar.
[minha autoria]
Eu não tenho medo do amor, não tenho medo da paixão, não tenho medo de você, não tenho medo de mim. Eu tenho medo do que sinto quando sei que posso perder você. Tenho medo de nunca voltar ao normal depois de um desses espasmos de loucuras que tenho quando você vai embora. Tenho pavor de pensar que essa dor que eu sinto, que força meu peito, que prende minha respiração, que destrói minha força, viva pela eternidade, como se já não fosse difícil o bastante receber a visita de tanto desespero em algumas noites escolhidas aleatoriamente pelo seu sorriso durante o mês. Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo da loucura. Eu tenho medo da minha insanidade que me corrói, que rompe meu corpo, que quebra minhas veias, que amassa coisas no meu cérebro e faz minha cabeça latejar de dor. Tenho medo de todas as lágrimas ininterruptas, descontroladas, desesperadas e infinitas que derramo quando você não se importa, enquanto você sorri e não é por minha causa. E se eu pular num abismo escuro e nunca mais conseguir subir? E se eu me perder pro resto da minha vida? Eu ainda deveria ter muita vida, mas toda vez ela parece estar mais curta. Toda vez que eu vejo seus olhos distantes, minha longa vida parece se distanciar também. É insano. Minha vontade é de me arrancar do meu próprio corpo. Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo de mim. E eu tive que sair de mim mesma para tentar me controlar, ser menos eu, para buscar o mínimo de sanidade. Mas não dá. A loucura me pertence; e ela transborda sempre que não deve. Eu minto para mim mesma todos os minutos do dia tentando acreditar que não preciso tanto de você para poder seguir em frente, mas sempre acabo caindo. Todas as noites que quero ouvir sua voz e sei que você está rindo com outras pessoas, caio. Você não entende, você não compreende, você não escuta. Você não quer ver, não quer ouvir, não quer se importar. E eu quero me importar, quero acreditar quando digo que vai ser melhor assim, longe de você, porque eu sei que vai ser, mas saber que é melhor não é suficiente. Saber que vai me deixar de fazer tão mal. Cansei de achar um dia vou me acostumar. Já entendi que não vou, mas descobri que a dor da saudade é bem menos dolorosa que a dor da loucura. Saudade se controla, se adestra, se prende, se educa. A loucura tem vida própria, pensamento próprio, ações próprias. Pois que eu aprenda a conviver com a saudade, mesmo que amarga, dolorida, pesada, arranhada. A saudade é mais fácil, é mais suportável. Só me resta coragem para seguir esse caminho, porque, para chegar a ele, terei que passar por outros espasmos de loucura. E se eu nunca mais conseguir sair desse abismo? Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo da loucura, e ela me alcança quase toda noite.
[minha autoria]
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