Eu queria um outono como o de Nova York, com aquelas folhas amarelas caindo pelo chão e partículas de amor exalando pelo ar. Andar pela rua sentindo aquele friozinho que deixa meu nariz gelado, mas sem me sentir deprimida. Sentindo apenas uma leve brisa adentrando minha alma, enchendo-me de paz e serenidade. Dando-me aquele ar de leveza, como se eu pudesse flutuar sobre os parques e voltar ao chão, leve, como uma daquelas folhas que caem. Seria um sonho. Se um dia eu vivesse um outono assim, talvez mudasse de ideia a respeito desta estação. O outono por aqui é chuvoso, é cinzento, não é acolhedor. Talvez o meu estado de espírito o faça dessa forma agora, mas acho que se não chovesse tanto eu me alegraria mais. Eu não tenho vontade de levantar da cama todas as tardes depois que eu deito para descansar, até porque não tem ninguém a esperar minha prontidão. E não há como sair de casa em um dia tão feio. Não há quem vá achar graça do meu nariz vermelho, e nem quem me abrace transmitindo calor. E não é a mesma coisa, só inventar um amor; mas e se algum dia eu viver um outono plenamente feliz, qual estação terá de entristecer? Que não seja o verão, por favor. Na verdade, se for não há problema. Se eu pudesse sentir uma vez que fosse a sensação do outono que idealizo já me daria por satisfeita, mesmo que passasse a minha estação preferida só observando o dia pela janela. E quando não houver para onde correr, vou me lembrar do outono maravilhoso que eu posso ter.
[minha autoria]
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