Eu não tenho medo do amor, não tenho medo da paixão, não tenho medo de você, não tenho medo de mim. Eu tenho medo do que sinto quando sei que posso perder você. Tenho medo de nunca voltar ao normal depois de um desses espasmos de loucuras que tenho quando você vai embora. Tenho pavor de pensar que essa dor que eu sinto, que força meu peito, que prende minha respiração, que destrói minha força, viva pela eternidade, como se já não fosse difícil o bastante receber a visita de tanto desespero em algumas noites escolhidas aleatoriamente pelo seu sorriso durante o mês. Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo da loucura. Eu tenho medo da minha insanidade que me corrói, que rompe meu corpo, que quebra minhas veias, que amassa coisas no meu cérebro e faz minha cabeça latejar de dor. Tenho medo de todas as lágrimas ininterruptas, descontroladas, desesperadas e infinitas que derramo quando você não se importa, enquanto você sorri e não é por minha causa. E se eu pular num abismo escuro e nunca mais conseguir subir? E se eu me perder pro resto da minha vida? Eu ainda deveria ter muita vida, mas toda vez ela parece estar mais curta. Toda vez que eu vejo seus olhos distantes, minha longa vida parece se distanciar também. É insano. Minha vontade é de me arrancar do meu próprio corpo. Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo de mim. E eu tive que sair de mim mesma para tentar me controlar, ser menos eu, para buscar o mínimo de sanidade. Mas não dá. A loucura me pertence; e ela transborda sempre que não deve. Eu minto para mim mesma todos os minutos do dia tentando acreditar que não preciso tanto de você para poder seguir em frente, mas sempre acabo caindo. Todas as noites que quero ouvir sua voz e sei que você está rindo com outras pessoas, caio. Você não entende, você não compreende, você não escuta. Você não quer ver, não quer ouvir, não quer se importar. E eu quero me importar, quero acreditar quando digo que vai ser melhor assim, longe de você, porque eu sei que vai ser, mas saber que é melhor não é suficiente. Saber que vai me deixar de fazer tão mal. Cansei de achar um dia vou me acostumar. Já entendi que não vou, mas descobri que a dor da saudade é bem menos dolorosa que a dor da loucura. Saudade se controla, se adestra, se prende, se educa. A loucura tem vida própria, pensamento próprio, ações próprias. Pois que eu aprenda a conviver com a saudade, mesmo que amarga, dolorida, pesada, arranhada. A saudade é mais fácil, é mais suportável. Só me resta coragem para seguir esse caminho, porque, para chegar a ele, terei que passar por outros espasmos de loucura. E se eu nunca mais conseguir sair desse abismo? Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo da loucura, e ela me alcança quase toda noite.
[minha autoria]
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